
Acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã injeta otimismo nos mercados globais; dólar recua para o menor patamar em dois anos e petróleo volta a operar abaixo de US$ 100.
O mercado financeiro brasileiro viveu uma jornada histórica nesta quarta-feira (08). Impulsionado por um alívio diplomático no exterior, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em nível recorde ao superar, pela primeira vez, a marca dos 192 mil pontos. O otimismo foi alimentado pelo anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão, pondo fim a seis semanas de um conflito que paralisou o fornecimento global de energia.
Ao fim do pregão, o índice registrou alta de 2,09%, estabelecido em 192.201,16 pontos. Durante o dia, a euforia levou o Ibovespa a renovar sua máxima intradia, ultrapassando brevemente os 193 mil pontos. A movimentação financeira foi intensa, somando R$ 42,5 bilhões, valor significativamente superior à média diária do ano.
O sentimento de “apetite pelo risco” (conhecido como risk-on) dominou as mesas de operação. Com a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização do transporte de gás e petróleo, investidores abandonaram ativos de proteção e voltaram para as bolsas de valores.
O impacto foi imediato nas moedas e commodities:
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Dólar: A moeda americana recuou 1,00%, encerrando o dia cotada a R$ 5,10 — o menor valor de fechamento desde maio de 2024.
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Petróleo: Com a redução do risco de desabastecimento, os preços do barril recuaram para patamares inferiores a US$ 100, embora especialistas alertem que o valor ainda segue acima dos níveis pré-conflito.
A trégua de 14 dias foi alcançada após pressão direta da Casa Branca sobre Teerã. Segundo informações da Reuters, autoridades iranianas sinalizam que o Estreito de Ormuz pode ser reaberto de forma controlada já nesta quinta ou sexta-feira.
Apesar da disparada da bolsa, analistas pedem cautela. “O cessar-fogo traz alívio imediato, mas não apaga as incertezas de longo prazo. O tom dos líderes ainda indica tensões latentes”, avalia Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. Para Lucca Bezzon, da Stonex, a mudança de direção nos preços do petróleo é clara, mas a volatilidade ainda pode retornar caso o acordo de paz não se mostre sustentável.
A valorização do Real frente ao Dólar e a alta do Ibovespa consolidam um ambiente favorável para os ativos domésticos. A expectativa para as próximas sessões é de que o mercado brasileiro continue a surfar na onda de otimismo global, caso as promessas de abertura das rotas comerciais de energia se concretizem nos próximos dias.

