
Senadora de MS articula grupo de estudos e defende mudanças no PL 5.122/2023 para evitar colapso da safra brasileira diante da escalada de conflitos no Oriente Médio.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) subiu o tom nesta quarta-feira (08) ao descrever o atual cenário do agronegócio brasileiro como uma “tempestade perfeita”. Em reunião estratégica convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a parlamentar expôs a gravidade da crise setorial a representantes do alto escalão do Governo Federal, incluindo o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan.
Para a ex-ministra da Agricultura, o setor enfrenta uma combinação perigosa de fatores externos e internos: a alta dos juros, a queda no preço das commodities e, principalmente, a escalada militar entre Irã, Israel e Estados Unidos, que tem encarecido drasticamente os custos de fertilizantes e insumos.
Embora a situação climática no Sul seja crítica, Tereza Cristina enfatizou que o problema é sistêmico e atinge produtores de todo o país. Além das guerras, ela apontou entraves comerciais com a China, que tem bloqueado a entrada de defensivos agrícolas brasileiros.
“A crise é grave. Não podemos mais tratar a agricultura brasileira como uma colcha de retalhos, resolvendo problemas isolados. Precisamos de medidas estruturantes”, afirmou a senadora após o encontro.
O foco da articulação no Congresso agora se volta para o Projeto de Lei nº 5.122/2023. Tereza anunciou a criação de um grupo de estudos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sob relatoria do senador Renan Calheiros, para dar celeridade e robustez à matéria.
A proposta central é autorizar o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar produtores rurais afetados não apenas por eventos climáticos, mas também pelas instabilidades econômicas globais. A ideia é adaptar o texto vindo da Câmara para incluir novos segmentos e estados que hoje se encontram em vulnerabilidade financeira.
Apesar de o setor ainda apresentar números positivos em 2026, a senadora alertou que o “estoque de resiliência” do produtor está chegando ao fim. O temor é que os custos de produção elevados e a insegurança geopolítica resultem em uma redução drástica na próxima safra.
O grupo de estudos deve apresentar as primeiras adaptações ao PL nas próximas semanas. Se aprovada na CAE, a matéria seguirá em regime de urgência para o plenário, consolidando o que Tereza Cristina chama de “esforço conjunto” entre Parlamento e Governo Federal para proteger a base da economia brasileira.

