
Com o encerramento da safra 2025/26, a fruta registra valorização de mais de 8% em dois meses; qualidade visual das novas unidades, porém, freia o ímpeto dos consumidores.
O mercado de citros em São Paulo atravessa um período de transição marcado pela valorização constante, mas sob o freio de um consumo cauteloso. Segundo dados consolidados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço da laranja pera para o mercado in natura mantém uma curva ascendente que já se estende pelo segundo mês consecutivo.
Em março, a caixa de 40,8 kg foi negociada, em média, a R$ 43,76, representando uma alta de 5,6%. A tendência não perdeu o fôlego na entrada de abril, quando os valores atingiram R$ 44,88, uma nova elevação de 2,5% sobre o mês anterior.
O principal motor dessa alta é a “entressafra técnica”. Com as últimas unidades da safra 2025/26 chegando ao fim, a disponibilidade do produto no mercado paulista caiu drasticamente. No entanto, o setor enfrenta dois grandes desafios para sustentar altas ainda maiores:
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Estética e Maturação: As laranjas que começam a chegar ao mercado, pertencentes à safra 2026/27, ainda apresentam coloração esverdeada. Esse aspecto visual impacta diretamente a decisão de compra no varejo, afastando consumidores que buscam frutas com coloração mais vibrante e padrão de doçura estabilizado.
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Ritmo Comercial: O calendário de feriados recentes e a consequente redução na atividade das casas de embalagem desaceleraram o fluxo de escoamento, limitando o espaço para reajustes mais agressivos por parte dos produtores.
Para os pesquisadores do Cepea, o cenário atual é de equilíbrio instável. Embora a oferta restrita atue como um suporte natural para os preços, a demanda enfraquecida atua como uma barreira.
Agentes do setor citrícola indicam que, enquanto a nova safra não atingir a maturação ideal e o padrão visual exigido pelo mercado interno, os preços devem continuar flutuando em patamares elevados, porém sem os saltos exponenciais registrados em anos de crise hídrica ou fitossanitária severa.
O mercado paulista segue agora atento ao ritmo de colheita das frutas de início de safra, que devem ditar a dinâmica de preços para o próximo trimestre.

