Saúde de Mato Grosso do Sul mobiliza 46 mil doses de vacina para conter surto de chikungunya em Dourados e Itaporã

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O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), finalizou o planejamento para uma ofensiva estratégica contra o avanço da chikungunya na região sul do estado. Em reunião do Centro de Operações de Emergências (COE), ficou definida a destinação de 46.530 doses de imunizantes para os municípios de Dourados e Itaporã, atuais epicentros da doença em território sul-mato-grossense.

Do montante total, Dourados receberá a maior fatia, com 43.530 doses, enquanto Itaporã contará com 3 mil unidades. A escolha das cidades como prioridade absoluta deve-se ao cenário epidemiológico crítico: o estado já contabiliza 1.764 casos confirmados, 3.657 casos prováveis e 7 óbitos ratificados pelas autoridades sanitárias em 2026.

Dourados como modelo na estratégia nacional

Dourados foi selecionado para integrar um projeto-piloto nacional de vacinação contra a chikungunya. A implementação das doses seguirá critérios técnicos rigorosos e diretrizes do Ministério da Saúde. “Estamos atuando com responsabilidade diante de um cenário sensível. A vacina é um reforço vital que se soma à vigilância e à assistência direta”, afirmou a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone.

Além da imunização, a estrutura hospitalar foi reforçada. O Hospital Regional de Dourados (HRD) disponibilizou, de forma temporária, 15 leitos exclusivos para pacientes com a doença (10 adultos e 5 pediátricos), visando desafogar a rede de urgência e garantir atendimento especializado diante do aumento da demanda.

Vigilância Integrada e Atendimento em Territórios Indígenas

A superintendente de Vigilância em Saúde, Larissa Castilho, destacou que o monitoramento é ininterrupto, com foco no fluxo de notificações e no suporte laboratorial via LACEN. O plano de ação inclui:

  • Combate ao vetor: Intensificação do fumacê, borrifação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

  • Foco em vulnerabilidades: Atuação prioritária em comunidades indígenas, com equipes fixas e capacitação de agentes locais em parceria com órgãos federais.

  • Educação em Saúde: Orientação contínua para que a população não se automedique e procure auxílio médico ao notar febre alta e dores articulares intensas.

Prevenção como barreira principal

Mesmo com a chegada das vacinas, a Secretaria de Estado de Saúde reforça que o controle mecânico — a eliminação de água parada — continua sendo a medida mais eficaz de prevenção. A coordenadora de Imunização, Ana Paula Goldfinger, ressaltou que a rede está sendo preparada para que a aplicação das doses ocorra de forma segura e célere assim que o cronograma de distribuição for iniciado.

A mobilização em Mato Grosso do Sul busca não apenas tratar os infectados, mas criar um bloqueio imunológico capaz de reduzir a letalidade e a cronificação das dores articulares, sequelas comuns da chikungunya que impactam diretamente a qualidade de vida e a capacidade produtiva da população.