
O sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul consolida, neste ano, uma virada estratégica em sua política de gestão. Com o objetivo de transformar unidades prisionais em centros de qualificação, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) confirmou a oferta de 2 mil vagas em cursos presenciais para 2026, focando na redução da reincidência criminal através do trabalho e da educação.
Sob a coordenação da Diretoria de Assistência Penitenciária, o cronograma abrange áreas vitais da economia local, como construção civil, marcenaria, informática e serviços administrativos.
Um dos diferenciais da atual gestão é a parceria com instituições de peso, como o Senai e a Funtrab. Em cidades como Paranaíba e Ponta Porã, cerca de 280 reeducandos participam de cursos de construção civil com uma aplicação imediata: eles atuam em obras estruturais dentro das próprias unidades onde cumprem pena.
Principais frentes de capacitação:
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Setor Industrial e Serviços: Elétrica básica, manutenção de ar-condicionado e serralheria.
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Confecção e Moda: Corte e costura sob medida e produção de itens de higiene têxtil.
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Infraestrutura Urbana: Em Campo Grande, 140 internos serão formados como encanadores hidráulicos em uma parceria inédita entre a concessionária Águas Guariroba e o Senai.
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Programas Especiais: 70 vagas pelo Pronatec “Mulheres Mil” e 800 oportunidades viabilizadas pela Funtrab.
Além do ganho técnico, a educação profissionalizante oferece um incentivo direto ao detento: a remição de pena. De acordo com a legislação vigente, a cada 12 horas de estudo, o interno reduz um dia do total de sua condenação.
Para o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o impacto vai muito além das grades. “Investir em trabalho no sistema prisional é investir em segurança pública. Ao oferecer uma profissão, criamos um caminho concreto para que essa pessoa não retorne ao crime após a liberdade”, afirma.
“Lá fora posso montar meu próprio negócio. É um curso gratuito e de qualidade que custaria caro se eu estivesse em liberdade”, relata Gilmar Mendes da Silva, interno que cursa marcenaria no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG).
A Agepen também adaptou os horários das aulas para garantir que o trabalho interno não seja um impedimento. No semiaberto feminino da capital, as aulas de informática ocorrem no período noturno. Já em Três Lagoas, o curso de auxiliar de elétrica para mulheres é ministrado aos sábados, permitindo que aquelas que já trabalham nas oficinas do presídio também se qualifiquem.
Parceria com a Justiça Federal
Somando-se às vagas presenciais, o projeto “Ajufe por um Mundo Melhor” disponibilizará formações à distância (EAD) em áreas como empreendedorismo, governança doméstica e línguas estrangeiras, ampliando o leque de conhecimento disponível para a população privada de liberdade.
Panorama da Qualificação em MS (2026)
| Instituição Parceira | Vagas / Especialidade |
| Senai | 160 vagas (Elétrica, Ar-condicionado, Marcenaria) |
| Funtrab | 800 vagas (Diversas áreas administrativas e serviços) |
| Águas Guariroba | 140 vagas (Encanadores Hidráulicos) |
| Obras em Unidades | 280 vagas (Construção Civil direta) |

