
Em um cenário onde a fiscalização ambiental em grandes extensões territoriais é um desafio constante, uma aliança estratégica em Mato Grosso do Sul está provando que a cooperação supera a repressão. O Projeto Águas de Bonito, focado na bacia do Rio Mimoso, tornou-se referência nacional ao recuperar áreas degradadas por meio da união entre o Estado, ONGs e proprietários rurais.
A iniciativa, que começou a ser desenhada em 2020, colheu recentemente o seu maior reconhecimento: o Troféu Siriema (Prêmio CREA de Meio Ambiente), considerado o “Oscar da Sustentabilidade” no Brasil, na categoria Elementos Naturais.
O diferencial do projeto reside na participação voluntária. Em vez de apenas aplicar sanções, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS), o Ministério Público Estadual e o IASB (Instituto das Águas da Serra da Bodoquena) realizaram vistorias técnicas conjuntas para entender as necessidades de cada propriedade.
“Participamos diretamente da identificação das medidas necessárias. A partir do levantamento técnico, definimos soluções específicas para cada local”, explica Marcelo Brasil, gestor regional do Imasul em Bonito.
As intervenções variaram conforme o nível de degradação:
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Regeneração Natural: Apenas o isolamento das Áreas de Preservação Permanente (APP).
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Intervenção Ativa: Readequação de cercas para afastar o gado e plantio de mudas de árvores nativas.
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Conservação do Solo: Medidas para evitar que sedimentos cheguem ao leito do rio.
Para a fiscal ambiental Luciana Valle de Loro, a recomposição da vegetação ciliar é a “barreira de proteção” dos rios. “Ela evita a erosão e garante a transparência e qualidade da água”, afirma. Em uma região que depende do ecoturismo, manter o Rio Mimoso saudável é uma questão ambiental e econômica.
Liliane Lacerda, executiva do IASB, destaca que enquanto o poder público dá o suporte técnico e jurídico, a sociedade civil executa a restauração e mobiliza o produtor. “Essa cooperação fortalece a conservação de nascentes e melhora a qualidade da água em longo prazo”, resume.
O sucesso do projeto é fruto de uma rede que envolve a Semadesc, a Prefeitura de Bonito e o Sindicato Rural. Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o prêmio nacional valida o modelo de gestão integrada. “Mostra que a união entre instituições e produtores rurais é o caminho para ampliar a proteção dos nossos recursos hídricos”, pontua.
O Projeto Águas de Bonito agora serve de inspiração para outras bacias hidrográficas do estado, demonstrando que a educação ambiental e a parceria técnica podem gerar resultados mais perenes do que a fiscalização isolada.
