
Em um marco histórico para a gestão participativa em Mato Grosso do Sul, o Fórum Regional de Juventude rompeu as barreiras dos gabinetes e desembarcou, pela primeira vez, em território indígena. A escuta ativa ocorreu durante a IX Assembleia da Juventude Terena, realizada na Aldeia Cachoeirinha, reunindo 114 jovens líderes de diversas etnias para construir as bases do novo Plano Estadual da Juventude.
Sob o lema “Guardiões da memória, construtores do amanhã”, representantes dos povos Terena, Kinikinau, Kadiwéu e Guarani (Kaiowá e Ñandeva) transformaram a assembleia em um laboratório de propostas, totalizando mais de 30 sugestões que agora integram o relatório oficial do Estado.
A iniciativa faz parte do Circuito Avança Juventude, promovido pela Secretaria de Estado da Cidadania. O subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, enfatizou que a ação simboliza uma mudança de paradigma. “É descer do gabinete e ir para a ponta. Ouvir a juventude indígena em sua própria casa tem um significado enorme para transformar falas em políticas públicas efetivas e decretos reais”, afirmou.
A metodologia foi estruturada em eixos estratégicos, garantindo que nenhum tema ficasse de fora:
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Educação e Renda: Foco no acesso e permanência no ensino superior.
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Saúde Mental: Debates urgentes sobre bem-estar e combate às drogas.
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Cultura e Identidade: Conexão entre saberes ancestrais, como a cerâmica tradicional, e a vida moderna.
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Território e Sustentabilidade: Discussões sobre o meio ambiente e a proteção das terras.
Para os jovens líderes, o evento foi a consolidação de um espaço de fala há muito desejado. Jean Carlos, coordenador da Juventude Terena, destacou que uma das principais demandas é a ocupação de cargos públicos por indígenas. “Sabemos que existem funções destinadas a nós que muitas vezes não são ocupadas por jovens das aldeias. Queremos ser autores das soluções”, pontuou.
A comunicadora Nadiely Vitória, de 18 anos (etnia Terena), descreveu a experiência como transformadora. Para ela, o ponto alto foi ver como a tradição caminha junto com a inovação. “A oficina de cerâmica mostrou que nossos saberes seguem vivos, enquanto as mesas sobre educação trouxeram debates reais sobre nossa realidade atual”, relatou.
Após percorrer sete regiões do Estado em 2025, o Fórum inicia 2026 com este capítulo dedicado aos povos originários. As propostas colhidas na Aldeia Cachoeirinha serão validadas pelo Conselho Estadual da Juventude e servirão de diretriz para os investimentos e projetos do Governo de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.
Com essa ação, o Estado inaugura uma era onde a juventude indígena deixa de ser apenas espectadora para se tornar arquiteta do próprio futuro, garantindo que o Plano Estadual tenha, de fato, a cara e a alma de todos os sul-mato-grossenses.

