A dança que transforma vidas: a história de superação de Kety Marques em Aquidauana

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No ritmo da dança, embalada por música e animação, a história de Kety Marques, de 43 anos, é marcada por perseverança, fé e amor ao próximo.

Casada, nascida e criada em Aquidauana (MS), Kety transformou a paixão pela dança em instrumento de superação pessoal e de transformação social para dezenas de mulheres.

Desde muito jovem, Kety sempre demonstrou afinidade com a dança. Em encontros com amigas para trabalhos escolares, o encerramento era quase sempre ao som da música, com passos improvisados que já revelavam seu talento e entusiasmo.

Com o passar dos anos, tornou-se mãe e passou a trabalhar em mercados e como vendedora. Em 2015, ao tomar conhecimento de um curso de Zumba e ritmos, realizado em Campo Grande, decidiu seguir o coração. Determinada, pediu demissão do emprego, utilizou o valor da rescisão para se inscrever no curso e partiu sem medo, mesmo sem saber como seria o futuro após a formação.

Segundo Kety, o apoio da família foi fundamental. “Contei ao meu esposo sobre o sonho de fazer o curso e ter meu próprio espaço para dar aulas. Ele me apoiou totalmente e até me emprestou dinheiro para pagar a licença exigida pela Zumba”, relembra.

Após a conclusão do curso, Kety iniciou suas primeiras aulas em um espaço cedido pelo Sindicato dos Professores de Aquidauana. Em poucos meses, as turmas estavam lotadas, compostas majoritariamente por mulheres, e a dança passou a ser sua principal fonte de renda.

O sonho, no entanto, ia além. Determinada a crescer profissionalmente, investiu em novos cursos de aperfeiçoamento e, pouco tempo depois, inaugurou seu próprio espaço. Na abertura do estúdio, realizou uma master class que lotou o local e dobrou o número de alunas. Assim nasceu o Studio Plena Forma, localizado em frente à Lagoa Comprida, que se tornou referência em superação, emagrecimento, saúde e empoderamento feminino.

Mesmo em plena ascensão, Kety enfrentou um duro revés. Por problemas familiares, precisou deixar a cidade, abandonando temporariamente o trabalho que havia construído com tanto esforço. Nesse período, foi diagnosticada com endometriose extensa, enfrentando cerca de dois anos de dores intensas, tratamentos e uso contínuo de medicações.

O impacto foi profundo, tanto físico quanto emocional. “Adoeci e meu psicológico desmoronou. Vi meu peso saltar de 60 para 99 quilos; eu não me reconhecia mais.” relata. Apesar das dificuldades, nunca perdeu a fé nem o desejo de voltar a dançar e ensinar.

Durante a pandemia, passou por seu tratamento mais intenso até receber alta médica. Após esse período, retornou ao mercado de trabalho como vendedora e chegou a fazer cursos na área da estética, tentando mudar de profissão. No entanto, o amor pela dança falou mais alto.

Em 2023, recebeu um convite para retornar às aulas de Zumba e ritmos, a grande transformação na vida de Kety começava a nascer. Mesmo com receio e insegurança, aceitou. “O importante é fazer o que faz bem e filtrar o que realmente importa. A dança movimenta o corpo e a alma”, afirma.

Hoje, três anos após o retorno, Kety com muita determinação, reconquistou sua forma física e saúde. Esbanja alegria ao retomar sua grande paixão, as aulas de Zumba, simbolizando o fim de um ciclo e o início de uma vida plena.

Kety coordena um grupo com mais de 100 mulheres, em parceria com a assistência social de Aquidauana. Além de instrutora licenciada, atua como incentivadora e apoiadora emocional, ouvindo histórias, fortalecendo a autoestima e ajudando mulheres a se reerguerem.

Diversas alunas relatam superação da depressão, da ansiedade e da obesidade, resultados que refletem o impacto do trabalho desenvolvido por Kety. “Não é apenas dar aula. É transmitir amor por meio do movimento, encorajar e mostrar que é possível vencer sem desistir”, destaca.

O grupo continua crescendo, assim como os testemunhos sobre o poder transformador da dança. Para Kety Marques, dançar vai além da atividade física: é um caminho de cura, fortalecimento e reconexão com a própria essência.

Colaborador Voluntário: Islan Carrilho