Alerta na Capital: Polícia Civil investiga garagem suspeita de golpe milionário em Campo Grande

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O setor de Defraudações da Polícia Civil está mobilizado para desarticular um esquema de estelionato que já acumula mais de 20 boletins de ocorrência contra uma única garagem de veículos na capital. Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Maurício Vargas, a empresa utilizava procurações de proprietários para vender automóveis e retia o dinheiro, deixando as vítimas sem o veículo e sem o pagamento.

O caso tomou proporções maiores após a denúncia de uma vítima que amargou o prejuízo de um carro avaliado em R$ 300 mil.

A Anatomia do Golpe: O Papel da Procuração

A estratégia da empresa era sofisticada e focada em veículos de alto valor. O modus operandi seguia um roteiro padrão para ganhar a confiança do cliente:

  1. Abordagem: Vendedores da garagem entravam em contato com proprietários que haviam anunciado seus carros em outras plataformas, alegando que já existia um comprador interessado.

  2. A “Vistoria”: O veículo era solicitado para fotos e avaliações técnicas.

  3. Contrato e Procuração: A empresa assinava um contrato de compra e venda, prometendo quitar dívidas bancárias do veículo e repassar o saldo restante. Para “agilizar” o processo, solicitavam uma procuração com plenos poderes de venda.

  4. O Desvio: Com o documento em mãos, a garagem vendia o carro rapidamente — muitas vezes para outros estados, como Santa Catarina — e cortava o repasse financeiro para o antigo dono.

Carros de “Garantia” e Recuperação de Bens

Para ganhar tempo quando os clientes começavam a cobrar o pagamento, os estelionatários entregavam veículos emprestados ou até caminhonetes de luxo como “garantia provisória”. No entanto, a polícia descobriu que esses veículos usados como garantia também eram fruto de outros golpes ou pertenciam a terceiros que sequer sabiam da negociação.

Após o registro do caso na Depac Cepol, a Polícia Civil iniciou uma ofensiva que resultou na entrega voluntária de diversos veículos por parte de pessoas que os haviam adquirido de boa-fé. “Um dos carros já possuía queixa de estelionato e outro pertencia a uma vítima que também não havia recebido o valor da venda”, detalhou o delegado Vargas.

Recomendações de Segurança

A Polícia Civil alerta que o uso de procurações que dão amplos poderes a garagens ou intermediários deve ser evitado ao máximo. É recomendável:

  • Consultar o histórico da empresa em órgãos de defesa do consumidor e cartórios.

  • Transferir o veículo apenas após a confirmação do saldo em conta (dinheiro disponível).

  • Evitar entregar documentos de transferência (CRV/ATPV-e) sem a devida compensação bancária.