
Neste 21 de janeiro, o Brasil volta seus olhos para um direito fundamental garantido pela Constituição Federal: a liberdade de crença. A data, que marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foi instituída em memória de Mãe Gilda de Ogum, Ialorixá baiana que faleceu em 2000 após ser vítima de ataques de vandalismo e ódio religioso. Em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado utiliza o marco para intensificar as ações do programa MS Sem Racismo, focando na proteção de comunidades historicamente marginalizadas.
O objetivo é claro: transformar o estado em um território onde a diversidade de fé seja respeitada não apenas por lei, mas no cotidiano das instituições e das relações sociais.
O Enfrentamento ao Racismo Religioso
De acordo com o subsecretário de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Deividson Silva, o preconceito no estado se manifesta de forma estrutural, atingindo principalmente as religiões de matriz africana. “Povos de terreiro ainda são impedidos de usar seus adornos e têm suas práticas vistas de forma pejorativa, mesmo em um país laico”, alerta.
Para combater essa realidade, o programa MS Sem Racismo, lançado em 2025, atua em duas frentes principais:
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Protocolos Antidiscriminatórios: Capacitação de servidores públicos para que saibam acolher e tratar com respeito praticantes de todas as religiões, evitando falas preconceituosas em órgãos de saúde, educação e segurança.
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Inclusão e Visibilidade: Fomento ao empreendedorismo e combate à vulnerabilidade econômica que atinge essas populações devido ao estigma social.
“A mão que cura é a mesma que resiste”
Como parte da programação oficial, a Secretaria de Estado da Cidadania promove nesta terça-feira (21), às 19h, uma roda de conversa no Terreiro Sanzala, no Jardim Nhanhá, em Campo Grande. O encontro propõe um diálogo intersetorial sobre como os terreiros funcionam como espaços de resistência e acolhimento.
Destaques do debate:
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Liderança Feminina: A subsecretária Manuela Nicodemos Bailosa discutirá o papel central das mulheres na gestão dos terreiros em uma sociedade patriarcal.
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Ancestralidade e Envelhecimento: Larissa Diniz Paraguaçu abordará a importância dos idosos como guardiões da sabedoria religiosa.
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Espaços de Pertencimento: Mikaella Lima falará sobre como os terreiros acolhem a população LGBTQIA+ de forma segura e inclusiva.
Serviço: Roda de Conversa
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Tema: Diálogo sobre respeito e liberdade religiosa no enfrentamento à intolerância.
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Data/Horário: Hoje (21/01), às 19h.
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Local: Rua Floriano Paula Correa, 831 – Jardim Nhanhá, Campo Grande.
Como denunciar casos de intolerância?
A intolerância religiosa é crime e pode ser denunciada através do Disque 100 (Direitos Humanos) ou diretamente em qualquer delegacia de Polícia Civil. Em Mato Grosso do Sul, o registro de boletim de ocorrência por discriminação religiosa é fundamental para que o Estado possa mapear e agir contra os agressores.

