
A febre dos medicamentos injetáveis para perda de peso, como o Mounjaro (tirzepatida) e o Wegovy (semaglutida), atingiu um novo patamar no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, as autoridades e especialistas em saúde observam um fenômeno perigoso: o crescimento da automedicação facilitado pela proximidade com o Paraguai, onde a aquisição desses fármacos ocorre muitas vezes sem o rigor das normas sanitárias brasileiras.
O uso recreativo ou sem acompanhamento médico tem gerado preocupação, especialmente pelos efeitos colaterais severos e pelo risco do chamado “efeito sanfona” acelerado.
O Perigo da Recuperação de Peso Relâmpago
Um estudo recente divulgado pela prestigiada revista científica British Medical Journal (BMJ) revelou que a interrupção abrupta do tratamento com essas canetas pode ser drástica. Pacientes que perdem até 20% do peso corporal com o auxílio das injeções podem recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que pessoas que optam pela reeducação alimentar e exercícios.
A média de ganho após o fim do uso sem manutenção é de 0,8 kg por mês. “O corpo não interpreta esse processo como saudável; ele reage tentando resgatar o que foi perdido, gerando um ciclo de frustração e riscos metabólicos”, pontua o Dr. Henrique Coelho, especialista em saúde do homem.
Impactos na Saúde Masculina: Hormônios em Risco
O uso indiscriminado dessas substâncias atinge os homens de forma específica. O urologista Dr. Henrique Sherer explica que a restrição calórica severa provocada pelo medicamento pode enviar um sinal de “fome” ao organismo, o que desregula a produção de testosterona.
As consequências diretas para o público masculino incluem:
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Queda acentuada da libido;
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Disfunção erétil;
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Redução na qualidade e contagem de espermatozoides;
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Perda de massa muscular (sarcopenia).
No longo prazo, os riscos se estendem para sobrecarga renal em pacientes predispostos e alterações de humor constantes devido ao desequilíbrio hormonal.
Acompanhamento é a Chave
Os especialistas reforçam que o medicamento não é o “vilão”, mas sim a ausência de um protocolo ético. “O tratamento pode ser um excelente aliado quando há indicação clínica, mas exige exames prévios e monitoramento constante. Não existem atalhos seguros”, conclui o Dr. Henrique Coelho.
A recomendação para quem busca o emagrecimento em 2026 é clara: evitar a compra de medicamentos de origem duvidosa na fronteira e priorizar o acompanhamento multidisciplinar para garantir que a perda de peso não custe a saúde sexual e o equilíbrio metabólico.
