
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nesta quinta-feira (15) as perspectivas para o setor automotivo em 2026. A estimativa aponta para um crescimento de 3,7% na produção nacional, englobando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
O otimismo, no entanto, é moderado por fatores de incerteza. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o setor vive um cenário de “otimismo contido” devido à volatilidade geopolítica, à proximidade da implementação da reforma tributária e às elevadas taxas de juros.
Desempenho e Projeções por Segmento
O setor encerrou 2025 com resultados positivos, embora abaixo das expectativas iniciais da entidade. Para o ciclo de 2026, a Anfavea estabeleceu as seguintes metas:
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Produção Geral: Crescimento estimado de 3,7%, atingindo patamares superiores aos 2,6 milhões de unidades fabricadas no ano anterior.
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Veículos Leves: O segmento deve ser o motor da indústria, com alta projetada de 3,8% na fabricação e 2,7% no licenciamento (vendas).
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Exportações: Após um salto de 32,1% em 2025 — impulsionado por um crescimento de 85% nos embarques para a Argentina —, a previsão para 2026 é de uma estabilização, com alta de 1,3%.
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Importações: Espera-se uma redução no volume de veículos importados (que somaram 498 mil unidades em 2025, com 37,6% vindos da China), à medida que novas montadoras iniciam a produção local neste ano.
Desafios no Setor de Pesados e o Programa Move Brasil
Um dos pontos mais críticos destacados pela Anfavea é o segmento de caminhões, que sofreu uma queda drástica de 46,4% na produção em 2025. Apesar da correlação histórica entre o crescimento do PIB e o transporte rodoviário, as taxas de juros atuais — que subiram de 12% para 15% ao ano — têm travado a renovação de frotas.
Para reverter esse quadro, o setor aposta no programa federal Move Brasil. A medida provisória oferece linhas de crédito com condições facilitadas, funcionando como um “desfibrilador” para estancar as quedas expressivas no setor de transportes.
Incertezas no Horizonte
A Anfavea planeja revisar suas projeções trimestralmente para acompanhar de perto dois grandes gargalos:
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Reforma Tributária: A falta de definição sobre as alíquotas que incidirão sobre os produtos automotivos a menos de um ano da vigência da reforma dificulta o planejamento estratégico das montadoras.
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Competição Internacional: O avanço de concorrentes globais em mercados vizinhos, como Colômbia e Argentina, exige que o Brasil recupere sua competitividade exportadora na América do Sul.
Com o Brasil mantendo a oitava posição no ranking mundial de produção e a sexta em mercado consumidor, 2026 desenha-se como um ano de consolidação em meio a uma transição econômica complexa.
