
A estrutura do crime organizado que disputa o controle das apostas ilegais em Mato Grosso do Sul sofreu um novo revés judicial. A 4ª Vara Criminal de Campo Grande aceitou, no encerramento de 2025, a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) contra 20 integrantes de uma organização criminosa armada. Os agora réus são acusados de operar uma rede de exploração do jogo do bicho com tentáculos que se estendem da capital ao interior.
O grupo, alvo da quarta fase da Operação Successione, é apontado como o principal articulador da tentativa de monopólio da contravenção penal no Estado, preenchendo o vácuo deixado por antigas lideranças do setor.
Liderança Política e Familiar
As investigações do Ministério Público revelam uma estrutura hierárquica rígida, chefiada por um influente núcleo familiar baseado em Dourados. Entre os novos réus estão:
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Um deputado estadual (apontado como uma das lideranças políticas do grupo);
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Dois irmãos do parlamentar e o patriarca da família;
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Dois policiais militares da reserva, que atuariam na segurança e logística da organização.
O grupo responderá por uma série de crimes graves, incluindo organização criminosa armada, lavagem de capitais, corrupção ativa e exploração de contravenção penal.
Violência e Empresas de Fachada
Diferente das bancas de apostas tradicionais, o Gaeco descreve uma operação moderna e violenta. A denúncia detalha episódios de roubo majorado ocorridos em outubro de 2023, quando operadores de grupos rivais foram atacados para garantir a “exclusividade” do território em Campo Grande.
Para ocultar o dinheiro das apostas, a organização utilizava:
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Lavagem de Dinheiro: Compra de imóveis e veículos de luxo em nome de “laranjas”;
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Empresas de Fachada: Estruturas comerciais que simulavam atividades lícitas;
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Interferência Pública: Tentativas documentadas de manipulação em licitações para ampliar o poder econômico do grupo.
Provas e Apreensões
O volume de evidências que baseou a decisão judicial é robusto. Durante as fases da Successione, as autoridades apreenderam mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e aproximadamente R$ 270 mil em espécie. Interceptações telemáticas (mensagens e chamadas) também expuseram o controle financeiro detalhado e a divisão de tarefas entre os membros.
Com o recebimento da denúncia, os réus serão citados para apresentar defesa no prazo de dez dias. O processo entra agora na fase de instrução, onde as provas serão analisadas para o julgamento final.
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