
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da carceragem da Polícia Federal para a realização de exames de imagem em uma unidade hospitalar. A decisão ocorre após Bolsonaro sofrer um acidente doméstico dentro de sua cela, na Superintendência da PF em Brasília, na madrugada de terça-feira (6).
De acordo com a defesa e relatos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente teve uma “síncope noturna” (desmaio) enquanto dormia, o que resultou em uma queda com impacto direto da cabeça contra um móvel do quarto. O político cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022 e 2023.
Quadro Clínico e Exames Solicitados
Embora a equipe médica da Polícia Federal tenha classificado os ferimentos iniciais como leves, um laudo particular assinado pelo médico Brasil Ramos Caiado indicou a necessidade de uma investigação mais profunda. O documento descreve sintomas como:
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Traumatismo craniano (a esclarecer gravidade);
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Síncope noturna associada à queda;
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Crise convulsiva e oscilação transitória de memória;
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Lesão cortante de aproximadamente 5 a 6 centímetros na região da têmpora.
Para descartar sangramentos intracranianos ou lesões neurológicas permanentes, Moraes autorizou a realização de uma tomografia computadorizada, ressonância magnética do crânio e um eletroencefalograma, que deverão ser executados no hospital DF Star.
Protocolo de Segurança e Escolta
A transferência para o hospital não significa uma flexibilização da prisão. O ministro determinou que a Polícia Federal realize o transporte de forma “discreta”, utilizando acessos privativos e garagens do hospital para evitar aglomerações.
A vigilância policial será mantida de forma ininterrupta durante todos os procedimentos médicos. Assim que os exames forem concluídos, Bolsonaro deverá ser reconduzido imediatamente à cela da Sala de Estado-Maior na Superintendência da PF.
O Embate Judicial
A autorização de hoje veio após uma negativa inicial de Moraes na terça-feira. No primeiro momento, o ministro entendeu que não havia urgência, baseando-se no relatório preliminar da PF. Contudo, após a defesa apresentar exames específicos e o laudo detalhando a possibilidade de convulsões, o magistrado voltou atrás para garantir a integridade física do custodiado.
A família do ex-presidente tem usado o episódio para reforçar pedidos de prisão domiciliar, argumentando que a estrutura da cela é “insalubre” e que o socorro demorou a acontecer por o quarto permanecer trancado durante a madrugada.
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