
Taxa básica dificulta financiamento de capital de giro e investimentos, impactando principalmente pequenas empresas; CNI aponta juros elevados como principal entrave para a Indústria da Construção.
O patamar da taxa básica de juros, fixada em 15% ao ano, impõe um peso significativo sobre o desempenho da indústria brasileira, conforme alertam representantes do setor e economistas. O custo elevado do crédito tem dificultado o funcionamento das empresas, comprometendo a capacidade de investimento, a geração de empregos e agravando a perda de renda das famílias.
O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Oliveira Jr., explica que a alta dos juros encarece o financiamento necessário para capital de giro e investimentos, tornando inviável a modernização e a ampliação da produção.
“Com relação também à pressão sobre pequenas indústrias, elas, sem dúvida alguma, se mostram com mais dificuldades em obter novos financiamentos, novos créditos. Isso eleva o efeito em cadeia. Os juros altos aumentam custos operacionais, reduzem a margem de lucro e limitam a geração de emprego”, destaca Oliveira Jr.
Impacto Mais Forte na Construção Civil
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam a dimensão do problema no terceiro trimestre de 2025:
- Indústria da Construção: 35,9% dos empresários consideram os juros elevados como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor, atrás apenas da elevada carga tributária (41%).
- Indústria da Transformação: 27% dos empresários apontam os juros elevados como um dos maiores entraves.
A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, pontua que as taxas afetam as empresas por dois canais: encarecendo e reduzindo a quantidade de crédito disponível, e enfraquecendo o mercado consumidor (demanda interna insuficiente).
Confiança das Pequenas Indústrias Despenca
O baixo desempenho do setor reflete-se na queda da confiança. Em outubro de 2025, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas de pequeno porte atingiu 46,7 pontos, ficando abaixo dos 50 pontos – indicativo de falta de confiança – pelo 11º mês consecutivo. Em outubro do ano anterior, o índice ainda registrava 51,9 pontos.
Como consequência macroeconômica, Oliveira Jr. alerta que os juros altos levam à redução de empregos e renda, perda de competitividade (tornando produtos nacionais mais caros) e fragilização da balança comercial.

