Transferência de Gestão na Escola Agrícola Arnaldo Estevão Gera Protesto e Preocupação com Fim do Ensino Técnico

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A comunidade escolar da única unidade da Rede Municipal de Ensino (Reme) a oferecer Ensino Médio em Campo Grande, a Escola Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo, realizou um protesto nesta sexta-feira (24) contra a transição de gestão para o Governo do Estado. Pais e professores manifestaram temores de que a mudança, que afeta cerca de 500 alunos, signifique o fim da formação técnica agrícola, modelo pedagógico consolidado há quase 30 anos na escola.

A partir de 2026, a Secretaria de Estado de Educação (SED) assumirá a administração das turmas do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, atendendo a um pedido da prefeitura. A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) justificou a decisão alegando conformidade com a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que definem o Ensino Médio como competência primária do estado e a Educação Infantil como responsabilidade do município.

No entanto, a mudança provocou apreensão. Professores temem a realocação para outras unidades e a perda de benefícios, como a gratificação de deslocamento. O principal receio dos pais é a descaracterização do ensino, o que comprometeria a formação de técnicos agrícolas, historicamente um dos pontos fortes da escola.

O Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) reconheceu o amparo legal para a transição, mas manifestou-se contra o fim do modelo atual. Em nota, o presidente da entidade, Gilvano Bronzoni, defendeu a manutenção do Ensino Médio e do modelo pedagógico na rede municipal, destacando o impacto da divisão de responsabilidades no financiamento e na estrutura. “Já solicitamos reunião com a SEMED para tratar do tema e trabalhar pela manutenção da unidade na rede municipal, preservando o modelo pedagógico e os serviços oferecidos hoje”, afirmou Bronzoni.

Apesar das garantias das autoridades de que a estrutura física da escola será mantida, a comunidade pressiona para que o curso técnico e o corpo docente habituado ao ensino agrícola sejam preservados durante os ajustes necessários para a transição.