
O Brasil registrou um avanço significativo no combate à fome, atingindo o menor patamar de insegurança alimentar moderada ou grave desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004. Segundo a edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua sobre segurança alimentar, divulgada nesta sexta-feira (10), o índice das duas piores formas de privação alimentar atingiu 7,7% dos domicílios em 2024.
O dado representa uma queda notável, saindo dos 9,4% de lares nessa condição em 2023.
A pesquisa aponta que a situação de insegurança alimentar grave— quando a fome é uma experiência vivida no lar e atinge também crianças — caiu 19,9% em apenas um ano. O número de lares nesta condição passou de 3,1 milhões em 2023 para 2,5 milhões em 2024, o que corresponde a uma redução de 4,1% para 3,2% do total de domicílios brasileiros.
Mais Lares com Comida Garantida
No panorama geral, a situação de segurança alimentar — o acesso pleno e suficiente à comida — cresceu de 72,4% dos domicílios em 2023 para 75,8% em 2024. Isso significa que mais de 2,2 milhões de lares deixaram a condição de insegurança alimentar em seus diversos níveis (leve, moderada e grave) no último ano.
O aumento da segurança alimentar no país é atribuído por pesquisadores do IBGE à combinação da melhora do mercado de trabalho e do impacto de programas assistenciais do Governo Federal, como o Bolsa Família.
Brasil Fora do Mapa da Fome da ONU
Os dados do IBGE, que demonstram uma redução acelerada da fome no país, estão alinhados com o recente anúncio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Em julho, a ONU indicou que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, lista que classifica países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação crônica grave.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, celebrou o resultado, ressaltando a velocidade da recuperação. “Levamos dois anos para reconquistar uma marca que, no passado, levou dez anos (2003-2013) de construção de políticas públicas para ser alcançada”, afirmou.
Desigualdades Regionais Persistem
Apesar da tendência nacional positiva, o estudo do IBGE revela que as desigualdades regionais e o perfil do domicílio continuam a influenciar o acesso à comida. As regiões Norte (14,1%) e Nordeste (12,3%) ainda apresentam as maiores proporções de domicílios em situação de insegurança alimentar moderada e grave, ficando acima da média nacional de 7,7%. No entanto, foram justamente nessas regiões que as maiores quedas no índice de insegurança foram percebidas.
Além disso, a área rural (31,4% de insegurança alimentar em geral) registrou um percentual maior de privação de alimentos do que as áreas urbanas (23,2%). Santa Catarina (90,6%) e o Rio Grande do Sul (85,2%) se destacaram com as maiores taxas de segurança alimentar.
O combate à fome permanece como prioridade na agenda nacional e internacional do governo, que participará do Fórum Mundial da Alimentação da FAO, em Roma, na próxima segunda-feira (13).

