Rachadura no ‘Ninho Tucano’: PSDB Perde Força em MS e PP e PL Lideram Disputa por Prefeituras

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A saída do governador Eduardo Riedel para o Progressistas (PP) e do ex-governador Reinaldo Azambuja para o Partido Liberal (PL) provocou um intenso rearranjo no mapa político de Mato Grosso do Sul, antes considerado o último grande reduto do PSDB no país. A debandada das principais lideranças resultou em uma acelerada “divisão de espólios” tucanos entre os dois novos partidos.

Com as novas filiações consolidadas neste início de outubro, a corrida por bases municipais demonstra uma inversão de forças no estado:

  • O PL, sob a nova liderança de Azambuja, alcançou a liderança em número de prefeituras, saltando para 23 administrações municipais após atrair um bloco de 18 prefeitos do PSDB.
  • O PP, partido de Riedel, também cresceu significativamente, passando de 16 para 20 prefeituras com a recente filiação de quatro novos chefes de executivos municipais.
  • O PSDB, que outrora governava a maioria dos municípios, resiste agora com 22 prefeituras, mas enfrenta o risco de perder mais nomes nos próximos meses, à medida que a crise nacional do partido se aprofunda e seus ex-aliados buscam estruturas mais robustas.

O Risco da Polarização: Riedel e Azambuja Podem se Enfrentar em 2026

Apesar de a migração de Riedel (agora PP) e Azambuja (agora PL) ter sido articulada, segundo fontes, para fortalecer o mesmo grupo político em legendas com maior estrutura, a movimentação já sugere um cenário de polarização para as eleições de 2026.

Embora o Governador Eduardo Riedel seja o nome natural para a reeleição pelo PP, articuladores políticos em Brasília e Mato Grosso do Sul veem uma crescente possibilidade de Reinaldo Azambuja se lançar candidato ao Governo do Estado pelo PL.

A eventual disputa colocaria dois antigos parceiros de governo em lados opostos na urna. O movimento do PL de Azambuja, alinhado à direita nacional e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ganha força no estado com a rápida adesão de prefeitos, criando a estrutura necessária para a sigla lançar uma candidatura majoritária.

Disputa pelo Senado e Reorganização do PSDB

A reconfiguração partidária também acirra a disputa por vagas no Senado. O PP já sinaliza o lançamento de duas candidaturas à Casa Alta, aproveitando a visibilidade da base de Riedel e o apoio de grandes lideranças nacionais.

O PSDB, por sua vez, foca na reorganização de suas fileiras e pretende concentrar seus esforços no lançamento de um candidato ao Senado como forma de manter sua relevância política e disputar cadeiras no legislativo federal, enquanto tenta estancar a sangria de seus quadros municipais. O futuro do “ninho tucano” em Mato Grosso do Sul, que foi o último estado a ter um governador do partido, depende agora de sua capacidade de renovar e reestruturar sua base após a perda de suas principais referências.