Indústria Brasileira se Mobiliza em Washington para Reverter Tarifas dos EUA

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera, entre esta quarta e quinta-feira (3 e 4), uma missão empresarial a Washington, nos Estados Unidos, com o objetivo de negociar a redução das tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. A comitiva, composta por cerca de 130 empresários, representa setores-chave da economia nacional, como máquinas e equipamentos, madeira, café, cerâmica e carnes.

A missão busca abrir canais de diálogo e participar de audiências públicas no Capitólio e na US International Trade Commission. O objetivo é apresentar a defesa da indústria brasileira em meio à investigação iniciada pelos Estados Unidos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que analisa práticas comerciais do Brasil. A investigação abrange temas como comércio digital, etanol e questões ambientais.

Diálogo e Defesa Técnica

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a missão é profissional e busca o “bom senso” nas negociações. Ele defendeu que o Brasil evite a aplicação de medidas de reciprocidade e busque soluções por meio do diálogo. “Não vamos perder a razão”, afirmou Alban, reforçando a importância de manter a soberania e o bem-estar social.

A CNI, que já apresentou sua defesa técnica, argumenta que o Brasil não adota práticas comerciais desleais e que o comércio bilateral é benéfico para os dois países. A entidade reforça que medidas unilaterais enfraquecem a parceria construída ao longo de décadas.

Impactos na Economia e Empregos

Estudos da CNI mostram que as tarifas americanas podem gerar um impacto negativo de até R$ 20 bilhões no PIB brasileiro e a perda de 30 mil empregos. Atualmente, 77,8% das exportações brasileiras para os EUA já enfrentam sobretaxas. Para mitigar os impactos, a CNI entregou ao governo federal propostas que incluem linhas de crédito e medidas de preservação de empregos.