Gambá Causa Alvoroço em Salão de Beleza e PMA Orienta População sobre Animais Silvestres em Áreas Urbanas

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Uma cena inusitada assustou funcionários de um salão de beleza na área central de Campo Grande na manhã deste sábado (26). Por volta das 6h, uma funcionária encontrou um gambá aparentemente preso ou dormindo dentro de um balde, causando pânico e um princípio de mal-estar. O incidente mobilizou o Corpo de Bombeiros e, posteriormente, a Polícia Militar Ambiental (PMA).

Apesar do susto, a presença de animais silvestres em áreas urbanas é mais comum do que se imagina. Diversas espécies convivem diariamente com a população, levantando dúvidas sobre como agir ao encontrá-las em ruas, estabelecimentos comerciais ou residências.

Orientação da PMA: Não Interfira e Acione as Autoridades

A PMA orienta a população a sempre entrar em contato com a instituição ao se deparar com um animal silvestre. Nem sempre a captura é o procedimento adequado. Muitas vezes, a melhor opção é permitir que o animal siga seu caminho, sem interferência em sua rotina, já que frequentemente estão em busca de alimento para si ou para seus filhotes.

O envio de equipes da PMA para captura ocorre principalmente quando o animal está machucado, necessitando de tratamento, ou quando oferece riscos às pessoas ou a si próprio, como estar preso em algum local, gerando pânico. No caso do gambá no salão de beleza, os policiais optaram pelo recolhimento, pois o animal não conseguia sair sozinho e o local estava cheio, podendo haver uma movimentação inadequada.

Leonardo Martinez, cabeleireiro do salão, relatou o susto: “Ele deve ter chegado de noite e não conseguiu sair. Como é algo diferente, as meninas se assustaram, a moça quase passou mal. Então ligamos primeiro para os bombeiros, e eles nos informaram que deveríamos entrar em contato com a PMA. Fizemos a foto do animal, mandamos, e depois a equipe veio fazer a captura. Agora já sabemos como funciona o procedimento, caso aconteça novamente.”

O sargento da PMA Wagner da Silva Azevedo, que coordenou a ocorrência, reforçou: “Ao encontrar o animal silvestre, nossa recomendação é ligar para a PMA. Já orientamos a não mexer no animal. Após pegar as informações, definimos como vamos proceder. Neste caso específico, viemos buscar o gambá porque estava preso, em um ambiente comercial cheio; as pessoas se assustam e têm medo de ataque. Nós vamos fazer a reintrodução ao seu habitat. Eles (gambás) têm hábitos noturnos, saem atrás de comida à noite. Não são agressivos, mas se alguém quiser pegá-lo, pode morder por instinto de defesa.”

Se o animal estiver ferido, a PMA o encaminha ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) para tratamento adequado. É importante ressaltar que a captura nem sempre é a melhor alternativa, pois pode machucar o animal, sendo preferível que ele siga seu curso na cidade em muitos casos.

Dados e Recomendações da PMA

De janeiro a 30 de junho deste ano, a PMA atendeu 1.513 ocorrências envolvendo fauna silvestre na Bacia do Paraguai. Desse total, 277 animais estavam saudáveis e 158 apresentavam ferimentos. As aves lideraram os resgates, representando 53% dos atendimentos. Em Campo Grande, foram 559 ocorrências, com 176 animais resgatados em boas condições e 131 feridos. Aves também foram maioria (59%), seguidas por mamíferos (24%) e répteis (17%). A PMA informou que, em cerca de 20% dos casos, a captura não foi necessária.

A PMA enfatiza que animais silvestres não são pets. É um erro tentar pegá-los ou fazer carinho, e até mesmo dar comida é considerado crime. O aparecimento desses animais é comum, especialmente perto de reservas florestais, rios e córregos. Muitos, como gambás, capivaras e quatis, estão adaptados à convivência em áreas urbanas.

Para residências próximas a esses locais, a recomendação é evitar deixar rações ou comida espalhadas pelo quintal, o que pode atrair esses animais e até gerar confrontos com animais domésticos.

A população também deve estar ciente de períodos sazonais, como a reprodução de aves a partir de setembro, quando filhotes podem se machucar ao aprender a voar. Nesses casos, a interferência humana nem sempre é necessária, e a decisão de captura é avaliada caso a caso pela PMA.