
O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) avaliou a operação da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (18) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma medida preventiva para evitar uma eventual fuga do país, similar ao que ocorreu com outros investigados no inquérito do 8 de janeiro. Esse processo, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), apura crimes contra a democracia brasileira.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, Loubet comentou a ação contra o ex-presidente e afirmou que a imposição do uso de tornozeleira eletrônica já era defendida pelo Partido dos Trabalhadores como forma de impedir que Bolsonaro seguisse o caminho da deputada federal Carla Zambelli, aliada de Bolsonaro, que fugiu para a Itália e atualmente integra a lista de difusão vermelha de procurados pela Interpol.
“É uma medida importante para garantir que ele seja julgado e responda pelos crimes que cometeu, para não acontecer o que aconteceu com a Carla Zambelli, que se tornou uma foragida da justiça brasileira. O mais importante é que ele siga podendo exercer o direito dele à ampla defesa e que o devido processo legal seja respeitado, pois defendemos esse direito a todos os cidadãs e cidadãos”, declarou Loubet.
Casos de Foragidos do 8 de Janeiro
Atualmente, cerca de cinco brasileiros investigados no inquérito do 8 de janeiro aguardam julgamento de pedidos de extradição na Justiça argentina, onde estão presos desde o final do ano passado. Em dezembro de 2024, o portal UOL noticiou que mais de 30 foragidos já teriam deixado a Argentina em grupos, após o país começar a prender brasileiros com pedidos de extradição do STF. As rotas identificadas seriam Peru e Colômbia, com destino final aos Estados Unidos.
Bolsonaro é investigado na ação que apura e já condenou diversos manifestantes envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2022, que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro atuou como líder e mentor da organização criminosa responsável por planejar os ataques às instituições democráticas.
O ex-presidente nega as acusações e, em coletiva de imprensa realizada nesta manhã em Brasília, declarou estar sendo submetido a uma “suprema humilhação” após as restrições impostas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Detalhes da Operação Contra Bolsonaro
Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (18), determinada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. O ex-presidente terá que usar tornozeleira eletrônica e, conforme apuração do UOL, se dirigiu à superintendência da PF em Brasília em carro próprio para a instalação do dispositivo. A decisão impõe restrições severas, incluindo:
- Proibição de contato com outros réus e investigados, como seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e atua como elo com o ex-presidente Donald Trump;
- Recolhimento domiciliar das 19h às 7h e nos fins de semana;
- Proibição de comunicação com embaixadores e diplomatas estrangeiros;
- Impedimento de acesso a redes sociais;
- Restrição de aproximação de embaixadas — em novembro de 2024, Bolsonaro afirmou que se sentia perseguido e cogitava pedir refúgio em embaixada caso houvesse ordem de prisão.
A operação foi autorizada após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências de Bolsonaro em Brasília e no Rio de Janeiro, além da sede do Partido Liberal (PL). As suspeitas que embasam a investigação são de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional.
A defesa do ex-presidente divulgou uma nota afirmando que ele “recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas” e que “sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário”. O partido ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
Durante a ação, os agentes apreenderam cerca de US$ 14 mil na casa do ex-presidente em Brasília. A investigação apura se esse valor poderia ser utilizado em uma eventual tentativa de fuga. As medidas fazem parte da PET nº 14129, em andamento no Supremo Tribunal Federal.

