Funcionário é Preso por Facilitar Golpe Milionário em Empresa de Software em SP

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A Polícia Civil de São Paulo, por meio do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais), detalhou hoje a dinâmica de um ataque hacker que resultou no desvio de, ao menos, R$ 500 milhões do sistema da empresa de software C&M. Um funcionário da empresa, identificado como João Nazareno Roque, de 48 anos, foi preso nesta manhã, acusado de ser “cooptado por criminosos” e fornecer os acessos para a execução do golpe.

Segundo as investigações, João Nazareno teria recebido R$ 15 mil para atuar como facilitador do crime. Ele teria fornecido senha e login de acesso aos golpistas após ser abordado por um homem que “desejava conhecer o sistema”, em março, ao sair de um bar. Em coletiva de imprensa, os delegados informaram que o suspeito alegou ter sido “seduzido por proposta dos hackers” e que “não sabia o que iria acontecer”. No entanto, as autoridades não identificaram sinais de coação ou ameaça e afirmaram que a versão do suspeito ainda será confrontada.

O montante desviado, estimado em R$ 500 milhões, seria o maior valor desviado por furto na história do Brasil, de acordo com a polícia de São Paulo. Esse valor se refere ao prejuízo do BMP, um banco que utilizava os serviços da C&M. Embora a C&M preste serviços para outras 22 instituições, ainda não há confirmação oficial de desvios em outros bancos ou fintechs. A polícia garantiu que nenhuma pessoa física foi prejudicada e que o Banco Central também não sofreu perdas.

João Nazareno responderá pelos crimes de associação criminosa (com pena de 5 a 10 anos) e furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança (pena de 2 a 8 anos). O suspeito informou que quatro pessoas o contataram desde março, mas sem detalhes sobre a identidade dos criminosos, que mantinham contato apenas por telefone. A prisão de João Nazareno ocorreu em sua residência, na zona norte de São Paulo, de onde foi levado para o prédio do antigo DEIC.

O Ataque e as Investigações

O ataque hacker teve início às 4h30 do dia 30 de junho, com uma série de transferências via Pix realizadas até as 7h do mesmo dia, pouco antes de o crime ser percebido por funcionários do BMP. Um boletim de ocorrência foi registrado em junho, dando início às investigações.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que, “desde o início, pela dinâmica do golpe, os policiais suspeitaram que algum funcionário da empresa teria facilitado o acesso ao dinheiro. Com isso, alguns colaboradores passaram a ser monitorados, até que a equipe conseguiu chegar ao alvo”.

Segundo apurado pelo Portal Uol, João Nazareno apresentou “comportamento estranho” durante o interrogatório, até que confessou seu envolvimento. O delegado Paulo Eduardo Barbosa, responsável pelas investigações, afirmou que o funcionário teria facilitado, por meio de “códigos maliciosos”, a extração do valor milionário da instituição financeira por outros criminosos.

Perfil do Funcionário e Posição da C&M Software

João Nazareno, de 48 anos, era funcionário da C&M há três anos. Ele havia mudado de carreira e ingressado no mercado de TI em 2022, com um salário de R$ 3.003,27, acima do piso salarial da categoria.

Em nota, a C&M Software declarou que suas investigações internas foram decisivas para identificar a origem do acesso indevido e auxiliar o trabalho policial. A empresa afirmou ter adotado “todas as medidas técnicas e legais” desde o início do incidente, mantendo seus sistemas “sob rigoroso monitoramento e controle de segurança”. A C&M também reforçou que “segue colaborando de forma proativa com as autoridades competentes nas investigações sobre o incidente ocorrido em julho de 2025”.

Ainda conforme a nota da C&M Software, “as evidências apontam que o incidente decorreu do uso de técnicas de engenharia social para o compartilhamento indevido de credenciais de acesso, e não de falhas nos sistemas ou na tecnologia da CMSW”.