Presidente do Instituto Homem Pantaneiro afirma ser inconcebível matança de onça

No último dia 10 deste mês o caso da coleira de rastreamento encontrada debaixo de uma ponte levantou a suspeita da morte da onça macho que havia sumido.

O caso se tornou de polícia causando prejuízos econômicos, social e ambiental. O animal era monitorado e a suspeita é que caçadores tenham matado e levado o animal, após livrar a coleira rastreadora.

O presidente do IHP, ngelo Rabelo, indicou que é preciso agir para não deixar que esse caso fique sem respostas, tanto com as ações policiais em andamento, como pelo lado de entidades que atuam diretamente na conservação do bioma. Ele também explica os impactos negativos que ocorrem com o desaparecimento de um animal tão emblemático, como é o caso da onça-pintada.

A presença do maior felino das Américas em um território contribui para fomentar o turismo de natureza, dar suporte nos créditos de biodiversidade e créditos de carbono e favorecer, dentro do conceito de coexistência, a produção da carne orgânica e sustentável no Pantanal.

“O Instituto Homem Pantaneiro vem trabalhando, por meio do programa Felinos Pantaneiros, administrar, primeiro, o conflito com a pecuária e essa espécie, que acaba causando prejuízo ao proprietário. Também trabalhamos na relação com a comunidade (e a onça-pintada). Procuramos com orientação, ações de educação, diminuir essa tensão e esse medo. A espécie é o símbolo desse bioma e ela representa em oportunidade para o turismo, para o crédito de biodiversidade, que está por vir. É inconcebível que tenhamos ações de crime contra a onça-pintada”, detalhou o presidente do IHP, ngelo Rabelo.

Entre os trabalhos que os pesquisadores do IHP dedicam-se no programa Felinos Pantaneiros está o estudo do comportamento da onça-pintada. A espécie é topo de cadeia e domina como ninguém o território em que vive. Pesquisas já indicaram que alguns indivíduos chegam a andar 40km por dia.

Entre os dados que ficam em análise está o percurso que uma onça-pintada em especial fez na região da Serra do Amolar. Joujou foi vítima dos incêndios florestais no pantanal, em 2020. Depois que se recuperou e foi solto na Serra do Amolar, ele foi monitorado para auxiliar a equipe a entender por onde o macho transitava e como era esse comportamento. Atualmente, Joujou não está mais com colar.

Essas informações foram acopladas ao sistema #Pantera, que tem uma central de monitoramento na sede do IHP, em Corumbá (MS). O recurso tecnológico soma para contribuir no trabalho de conservação e produção de natureza que a equipe do Instituto dedica-se.