Na Assembleia Legislativa, Eduardo Riedel fala em pacificação e assume compromisso de estar aberto ao diálogo

Na instalação da 12ª Legislatura, nesta quarta-feira (1º), o governador Eduardo Riedel fez um reconhecimento público ao trabalho realizado e ao papel fundamental da Assembleia Legislativa na solução de problemas e defendeu a convergência da classe política em busca de soluções para a vida das pessoas. Na cerimônia, os deputados estaduais tomaram posse e foi realizada a eleição da nova Mesa Diretora (2023-2024).

“Aproveito esta preciosa oportunidade para fazer um alerta e uma reflexão: os inúmeros problemas que nos desafiam não podem ser subdimensionados e atropelados pelas razões da luta ideológica entre os diferentes lados e pela trágica conflagração entre irmãos. Afinal, os dois campos políticos hoje divergentes acabam portadores de desafios comuns. Eles se reencontram, por exemplo, na busca por emprego e melhor renda – oportunidades para melhorar de vida”, disse.

Riedel destacou ainda que todos, independentemente do campo partidário, querem um sistema de saúde mais próximo, descentralizado, regionalizado e resolutivo, a assistência aos mais necessitados, a redução da desigualdade social e uma educação pública de alta qualidade e que isso não será atingido por meio de uma luta política radicalizada. “Os projetos de vida tão sonhados por todos, sem exceção, não carregam tintas partidárias”, resumiu.

“O discurso de ódio que vem sendo alimentado todos os dias pelos incautos representa um risco exponencial à nossa capacidade de construir grandes convergências, através de projetos coletivos, para juntos podermos avançar muito mais”, alertou.

O governador declarou também saber que há muito o que avançar e que isso só é possível por meio do diálogo. “Vamos reconstruir as pontes entre nós, para que todos possamos caminhar de forma segura por elas, em direção a um novo futuro para todos”.

Riedel disse ainda estar aberto para debater soluções. “Este Parlamento encontrará à frente do Estado um governador disposto ao diálogo; sensível e atento às causas coletivas; aberto às inovações que representem ganhos de qualidade; seguro e convicto das ideias que lastreiam o nosso programa, cujo ponto de chegada é um estado próspero, verde, inclusivo e digital; e absolutamente consciente das suas enormes responsabilidades”.

Novo presidente da Casa de Leis, Gerson Claro declarou que fará um mandato pautado pelo diálogo propositivo e compromissado com a democracia e respeito ao contraditório. “Este Parlamento está onde sempre esteve: pronto para cumprir o seu papel, defendendo os princípios da nossa Constituição, respeitando as leis, advogando as causas coletivas e promovendo o bem comum, ao lado do nosso povo”.

A Mesa Diretora contará ainda com Renato Câmara na 1ª Vice-presidência; Zé Teixeira na 2ª Vice-presidência; e Mara Caseiro na 3ª Vice-presidência. Paulo Corrêa é o novo 1º secretário. Pedro Kemp e Lucas de Lima, respectivamente, ficaram como 2º e 3º secretários.

Deputado eleito, Pedro Arlei Caravina também tomou posse, mas avisou que irá se licenciar para dar continuidade ao trabalho na Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica. Ele ainda assumiu o compromisso de, na função de secretário, ser parceiro da Assembleia Legislativa.

Também participaram da abertura dos trabalho da 12ª Legislatura, os secretários Eduardo Rocha (Casa Civil), Jaime Verruck (Semadesc), Antonio Carlos Videira (Sejusp), Flávio César (Sefaz) e Ana Carolina Nardes (SAD); a diretora-presidente do EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas), Ana Carolina Ali Garcia; controlador-geral do Estado, Carlos Girão; e o secretário-executivo Sérgio de Paula, além de presidentes de entidades representativas da sociedade, de prefeitos e deputados empossados, entre outras autoridades.

Confira o discurso do governador Eduardo Riedel na íntegra:

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Parlamentares.

Antes de saudar, com alegria e esperança, essa instalação da 12ª Legislatura Sul-Mato-Grossense e a cada um dos representantes eleitos e eleitas no pleito de 2022, eu peço licença para iniciar meu pronunciamento fazendo um agradecimento público à Legislatura que hoje se encerra.

Trata-se do necessário reconhecimento ao papel fundamental que esta Casa de Leis exerceu e vem cumprindo nos últimos anos, em tempos tão difíceis.

Não posso deixar de lembrar aqui, caro presidente, quantas e quantas vezes estivemos juntos, Governo e Parlamento, sentados à mesma mesa, em busca de saídas para problemas gigantescos que afetaram o país e também impactaram de forma muito grave a vida do estado.

Nesta posição, fui testemunha do alto espírito público que sempre prevaleceu e marcou as relações entre os nossos Poderes.

Soubemos vencer enormes dificuldades construindo uma valiosa convergência, base sobre a qual efetivamos o maior volume de reformas já executado em toda a nossa história e que mudou o nosso destino.

Saímos da fronteira do risco de grave insolvência para assumir posição de liderança dos mais importantes rankings de desempenho nacionais.

Foi um trabalho de fôlego e alta responsabilidade.

Aqui, pontuo a coragem e o desprendimento dos parlamentares, no enfrentamento de pautas extremamente complexas e outras tantas também impopulares e desgastantes, mas cruciais à superação de múltiplas crises e a conquista de um novo patamar de desenvolvimento.

É com esta vivência e exitosa experiência que reitero minha plena confiança em um regime de intensa colaboração e parceria entre os diferentes Poderes e a nossa sociedade organizada, em nome do interesse público e das causas coletivas do Mato Grosso do Sul nos anos vindouros.

É com este espírito que quero saudar cada deputado e deputada eleitos e reeleitos no último pleito e hoje aqui empossados.

Neste momento, forma-se, perante cada um de nós, a autêntica representação do povo sul-mato-grossense, o que garante a esta 12a Legislatura o necessário pluralismo e legitimidade, alicerces que sustentam os preciosos valores do regime democrático.

Através das senhoras e dos senhores parlamentares, estarão presentes neste plenário, no dia a dia dos grandes debates e das proposituras legislativas, as posições,  o olhar, as demandas, as críticas, mas também os sonhos dos cidadãos comuns que os escolheram.

Em cada posicionamento estarão vivas as ideias e atuantes o vigor das causas dos profissionais liberais, dos empresários, dos produtores; dos trabalhadores, estudantes e servidores; do terceiro setor, dos especialistas de diferentes áreas; jovens e idosos; famílias vulneráveis, pais e mães que depositaram em cada uma de suas escolhas, as suas melhores esperanças.

Este sempre será o primeiro e mais alto desafio: honrar o voto de confiança recebido, com trabalho determinado e soluções para os problemas da vida cotidiana que tanto afligem a população.

E aqui, aproveito esta preciosa oportunidade para fazer um alerta e uma reflexão:

Os inúmeros problemas que nos desafiam não podem ser subdimensionados e atropelados pelas razões da luta ideológica entre os diferentes lados e pela trágica conflagração entre irmãos.

Afinal, os dois campos políticos hoje divergentes acabam portadores de desafios comuns.

Eles se reencontram, por exemplo, na busca por emprego e melhor renda – oportunidades para melhorar de vida!

Há, nos dois lados, os que precisam e esperam por um sistema de saúde mais próximo, descentralizado, regionalizado e resolutivo nas suas obrigações e entregas.

Os projetos de vida tão sonhados por todos, sem exceção, não carregam tintas partidárias, e todos eles dependem de uma educação pública de alta qualidade em todos os grandes ciclos de aprendizagem.

Há milhares de famílias vulneráveis que precisam ser assistidas e passo a passo libertadas da situação de pobreza extrema em que vivem.

A desigualdade que se abate sobre o nosso povo e o nosso país não é mazela que destrói a cidadania apenas deste ou daquele lado. É desastre comum a todos nós, que nos impõe um atraso secular, ainda hoje renitente.

Eu os alerto: em nenhum momento, a luta política radicalizada será capaz de nos entregar mais crescimento sustentado e sustentável, nem tampouco a tão necessária busca por mais equidade, com mais justiça social.

Ao final, senhoras e senhores, qualquer discurso de ódio que vem sendo alimentado todos os dias pelos incautos representa um risco exponencial à nossa capacidade de construir  grandes convergências, através de projetos coletivos, para juntos podermos avançar muito mais.

Cometo a ousadia de advogar a tese da esperança renovada de que aqui, no nosso Mato Grosso do Sul, podemos e precisamos  começar a nos dedicar a escrever uma história diferente, superando as fronteiras que nos separam nesses tempos tão estranhos.

Vamos reconstruir as pontes entre nós, para que todos possamos caminhar de forma segura por elas, em direção a um novo futuro para todos.

Nunca é demais lembrar que temos um exaustivo trabalho à frente.

Como muitas vezes já disse, não existe obra pronta, concluída, no processo de governança.

É nossa obrigação atacar os antigos problemas que permaneceram intocados no curso dos anos. E enfrentar os outros tantos novos que chegam, todos os dias, à mesa de quem tem responsabilidade pública, como todos nós temos.

Sabemos que os inúmeros avanços conquistados nos últimos anos ainda não são suficientes para que fiquem definitivamente alojados no passado as diversas distorções e agruras que o estado brasileiro impõe ao cidadão-contribuinte.

Até que possamos alcançar um novo patamar de qualidade na prestação continuada dos serviços públicos, há pela frente uma longa jornada dedicada às mudanças e aos aperfeiçoamentos das diferentes políticas públicas.

Desde que assumi, há um mês , e em especial durante o sempre difícil processo de formação de novo governo, tenho insistido, de forma obstinada nos necessários antídotos contra o crônico conformismo que vem eternizando uma série de problemas do estado brasileiro… Problemas que também se repetem aqui.

Assumi este compromisso, que hoje reitero:

Vamos continuar mudando e reformando todos os dias o que não funciona bem, além de abrir um amplo espaço fértil para que floresçam as mais poderosas sementes da inovação.

É nosso dever fazer melhor, com menor gasto, mais eficiência e entrega de resultados. A sociedade espera isso. E estes sempre serão os nossos objetivos finais na rotina da administração.

Nesta direção, conto, desde já, com a responsabilidade e solidariedade política dos parlamentares sul-mato-grossenses que hoje assumem os seus mandatos.

Dos que estão em nossa base e ajudaram a construir este projeto, mas também dos que, por diferentes motivos, nos farão oposição.

Aviso, desde já: sempre que houver argumentos realistas, justos e bons propósitos, saberemos ser permeáveis às críticas e delas sempre aproveitaremos o melhor, independente das questões político-partidárias.

Contarei com esta Casa, não apenas para nos ajudar a fazer uma mediação honesta e justa dos diferentes interesses dos sul-mato-grossenses, mas também como parceiros ativos do processo de governança.

Precisamos avançar cada vez mais, em todas as frentes e setores, tendo como referência fundamental o respeito aos usuários dos serviços sob o guarda do estado.

Quero garantir-lhes:

Este Parlamento encontrará à frente do Estado um governador  disposto ao diálogo;

Sensível e atento às causas coletivas;

Aberto às inovações que representem ganhos de qualidade para a população;

Seguro e convicto das ideias que lastreiam o nosso programa, cujo ponto de chegada é um estado próspero, verde, inclusivo e digital;

E absolutamente consciente das suas enormes responsabilidades.

Tenho convicção:

O grandioso desafio de remodelar o presente para alcançar um novo futuro jamais será uma tarefa de um homem só.

Temos em nossas mãos a matéria prima para colocar em curso um grande projeto coletivo, que só será realidade se construído com a contribuição de todos nós e a força de nossa gente.

Que esta nova Legislatura que se inicia tenha uma jornada transformadora, inspirada nos valores que alicerçam a nossa  história; nos princípios éticos que movem as sociedades modernas e nas garantias de direitos e obrigações que alimentam a alma do regime democrático.

Estas serão, sempre, para cada um de nós, tarefas intransferíveis.

E ninguém, senhoras e senhores, fará por nós o que é nosso dever.

Muito obrigado.

Que Deus nos abençoe.

Paulo Fernandes, Comunicação do Governo de MS

Fotos: Saul Schramm