Propina foi paga em cheque nominal e teve vereador que recebeu R$ 44 mil por mês

O pagamento da propina aos 11 dos 13 vereadores de Maracaju era feito por meio de cheque nominal, conforme investigação do DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). O valor mensal repassado pela suposta organização criminosa, chefiada pelo ex-prefeito Maurílio Ferreira Azambuja, o Dr. Maurílio (MDB), variava de R$ 2.350 a R$ 44 mil, conforme a Operação Mensalinho, denominação da 3ª fase da Dark Money, deflagrada em 8 de dezembro do ano passado.

O caminho da propina está sendo desvendado pela equipe comandada pela delegada Ana Cláudia Mendina, que ainda segue analisando os documentos e computadores apreendidos no mês passado.

O juiz Raul Ignatius Nogueira, da 2ª Vara Criminal de Maracaju, determinou o afastamento de 11 vereadores por 30 dias. O prazo vence no domingo (8), mas três parlamentares teriam obtido liminar no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para retornar à função antes do prazo.

Eles são acusados de receber R$ 1,374 milhão em propina da conta clandestina, aberta pelo Dr. Maurílio, para desviar o dinheiro do município. A conta teria sangrado R$ 23 milhões dos cofres municipais.

A certeza da impunidade era tanta que o pagamento da suposta propina era feito em cheque nominal ao vereador. Presidente da Câmara Municipal na época, Hélio Albarello (MDB), recebia R$ 44 mil por mês. O dinheiro era repassado em cheque e também por meio da empresa JP Comércio e Construção.

O vereador Ludimar Portela, o Nego do Povo (MDB), ganhavam R$ 10 mil por mês, conforme documento que O Jacaré obteve com exclusividade e foi confirmado por pessoas com conhecimento do caso.

Tabela da propina em Maracaju

O terceiro maior valor era pago ao vereador Robert Ziemann (PSDB), que era o atual presidente da Câmara Municipal. O tucano ganhava R$ 7,5 mil por mês. Antônio João Marçal de Souza, o Nenê da Vista Alegre (MDB), ficava com R$ 7,3 mil.

Jefferson Lopes (Patriota) recebia R$ 5,4 mil por mês. Outros três parlamentares – Professor Dada (Patri), Laudo Sorrilha (PSDB) e Vergílio da Banca (MDB) – ficavam com R$ 3 mil cada. E Tonton Pradence (União Brasil) faturava R$ 2.350. O valor Ilson Portela, o Catito (PSDB), não aparece porque ele recebia através de intermediários.

O escândalo é um dos maiores na história de Maracaju, localizada a 160 quilômetros da Capital e terra natal de Reinaldo Azambuja (PSDB). O tucano começou a carreira política como prefeito da cidade por dois mandatos. Dr. Maurílio é seu primo, mas eles não mantém uma boa relação.

Somente após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil deverá decidir se indica os vereadores por corrupção passiva e organização criminosa.

Operação Mensalinho afastou 11 dos 13 vereadores por 30 dias: prazo termina domingo (Foto: Arquivo)